Há muito tempo que não aparece nada novo por aqui – já perceberam…

Passei um bom tempo utilizando em conjunto o twiter (que praticamente abandonei também) e facebook. Ultimamente, tenho utilizado posts e notas no facebook.

Segue o endereço do perfil para o caso de quem se interessar em assinar ou enviar alguma mensagem. E, se nos conhecemos, estejam à vontade para adicionar:

http://www.facebook.com/daftm1

Clique antes aqui para ouvir…

Agradecido, brindo ao destino com versos que colhi pelo caminho. Desde menino, poetas que ouvi me dão tecido nobre, de ouro e cobre com rendas que escolhi. Eu faço o manto, junto ao meu canto e ofereço a ti.

Eu trago a prenda e a oferenda. E te tiro pra dançar. Deixa eu ser seu par.

Devagarinho. Deixando o ninho. Buscando a imensidão.

Vem

Na despedida, a estrada é linda. Pra sempre um caminhar…

E sopra o vento do encatamento. Certeza de voltar é bom.

Que seja logo, aos céus eu rogo. Que eu volte para ver tanta beleza, Luz da nobreza. Pra sempre eu quero ter
Você e eu

A certeza é que estamos indo e retornando sempre, ao mesmo tempo.
Obrigado a todas as pessoas que viajaram e dançaram comigo em 2008.

Agora, vem.
Dança à dois ou Dança de roda.
Segura minha mão e vem dançar duas mil e nove músicas.


A música cujos versos colhi pelo caminho desta mensagem é a ‘Luz da Nobreza’ de Pedro Luiz e Zé Renato. Está no ótimo e mais recente CD do Pedro Luiz e a Parede ‘Ponto Enredo’ e conta com a participação da linda Roberta Sá nos vocais.

ps: Para relembrar (ou para conhecer) as mensagens que enviei em alguns anos anteriores:

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Hoje é aniversário do nascimento do Grande Mestre Cartola.

Passou quase a vida toda no Morro e estudou até a quarta série do ensino fundamental. É compositor de clássicos do samba com uma profundidade poética surpreendentes como em “O Mundo é um Moinho”, “Ensaboa Mulata”, “O Sol Nascerá”, “Cordas de Aço”, “Acontece”. Além disso, é um dos fundadores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira.
Destaco a lindíssima “As Rosas Não Falam”, que já decorei e cantei para um primeiro amor… E, depois, outra ode a alegria… rsrs


Viva Cartola!


Alegria!, era o que faltava em mim
Uma esperança vaga, eu ja encontrei

Pelos carinhos que me faz, me deixa em paz
Não te quero ter, para nunca mais.

Eu sei que teus beijos e abraços
Tudo isso não passa de pura hipocrisia

Já que tu não és sincera
Eu vou te abandonar, um dia. Alegria !
Alegria !

Update: Compilação de posts sobre o centenário.


Em tempo: Ontem o UOL publicou, enfim, um especial sobre os 20 anos da Constituição de 1988. Legal rever a imagem que me referi aqui.

Recomendo estes dois vídeos:
Vídeo principal, com depoimentos de Fernando Henrique, Plínio de Arruda Sampaio e Miguel Reale Jr.
Vídeo do depoimento gravado no Pal. do Planalto com Presidente Lula.

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Lembro-me das primeiras aulas de psicologia do desenvolvimento nas quais estudávamos os processos cognitivos dos bebês até dois anos de idade. O objetivo era entender como os seres humanos começam a perceber e se relacionar com o mundo. A neurofisiologia dá indicações de que o sistema neurológico e os órgãos sensoriais não estão maduros o suficiente para que recém-nascidos possam ver ou mesmo ouvir da maneira que muita gente imagina que podem. Isto apenas para citar dois dos sentidos. Desde antes do nascimento, o feto reage a fontes de luz do ambiente onde a mãe está. Inclusive abre as pálpebras. A partir de determinado momento, também reconhece sons internos ao corpo da mãe e alguns externos. Porém, estes sons alcançam o feto com timbres e volumes bem diferentes dos que ouvimos, afinal está envolto pelos tecidos e líquidos da placenta e tem o som de fundo das batidas do coração e da circulação sanguínea maternas.

Testes indicam que, nos primeiros dias, os bebês conseguem focalizar objetos apenas a distância de cerca de 30cm de seus olhos e praticamente sem cores. Daí a linda imagem de bebês sendo amamentados olhando nos olhos de suas mães. Parecem também conseguir distinguir a voz da mãe alguns instantes após o nascimento. Mas, certamente não identificam o significado do que ela fala. Não deve fazer a menor idéia do que os tons de rosa ou azul na pintura das paredes de seu quarto indicam.

Algo me incomodava muito naquelas aulas. Não sabemos como outra pessoa adulta percebe o mundo. Da mesma forma que eu não conseguiria explicar como é a cor vermelha para alguém que nunca viu cor alguma, eu não sei se a tonalidade da luz que reconheço como sendo vermelha é a mesma que outra pessoa vê. Portanto, uma idéia insistente que eu tinha naquela época é que os testes e parâmetros que usamos indicam apenas o quanto a percepção do bebê está próxima da dos adultos. Viver na cultura molda a percepção dos recém-nascidos. O mundo percebido por um bebê é inimaginável para nós.

Ultimamente estou me sentindo um bebê.

Aprender a pilotar uma moto tem sido como reaprender a andar. Perceber o próprio corpo tentando se equilibrar em cima de duas rodas com motor é uma ótima novidade.

Acho engraçada a cena de instrutores dizendo como devo fazer para passar por uma rampa ou como devo me equilibrar. Talvez aquelas instruções sejam super simples para eles! Eles estão num mundo onde pilotar moto é algo como andar em dois pés. Só que eu me sinto como o bebê que não entende nada do que um adulto diz ao tentar explicar como se manter de pé e andar.

Nós, bebês, aprendemos apesar de como é ensinado. Ir além de acertar ou errar, gostamos de aprender, mudar. Tudo é novo.

Mas, talvez eu esteja lembrando disso tudo porque estou aprendendo que todo dia é birthday.


(O vídeo não é meu… mas, acho que me sinto como esse bebê
– e um dia serei como esse pai ‘babão’ rsrsrs)

Agora, fique à vontade para passear por aqui.

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Parabéns pelo seu aniversário.

Há 20 anos, foi promulgada nossa atual constituição federal. Eu me lembro do dia de aula no qual as aulas foram interrompidas e víamos pela TV o momento em que a Assembléia Constituinte era concluída com o Hino Nacional e um exemplar da carta-magna sendo empunhado como a materialização da conquista de anos de luta e sangue.

Eu tinha 12 anos de idade. Estava a 4 dias de meu aniversário. Naquela época, meu aniversário não significava coisa muito diferente que apenas a mudança do número de minha idade. Eu também não percebia a importância dos direitos sociais e políticos que aquele documento significa para nossa sociedade. Isso só foi acontecer com muitos anos e debates depois.

Atualmente, eu comemoro meu aniversário com todo o significado que cada etapa de minha vida possui. O ritual da passagem do tempo como um marcador que nos lembra de nossa finitude ao mesmo tempo em que reafirma o quanto somos maiores que nossa simples existência ao sermos lembrados no cotidiano de nossos amigos.

E, a cada ano, festejar nossos 364 desaniversários junto de desconhecidos e os entes queridos é exercício primordial para valorizar nossas escolhas e, paradoxalmente, acordar para quão efêmero é o piscar de nossos olhos na vastidão do espaço e na imensidão do espaço.

Este paradoxo – quão pequenos somos e, ao mesmo tempo, o quanto vivemos na pele os resultados de nossas escolhas – dá a perspectiva do significado que quero focar no aniversário comemorado hoje.

Quando conhecemos uma nova paixão, costumamos imaginar a vida com aquela pessoa. Desejos de toda ordem, sonhos sonhados juntos, o apartamento de cobertura, a filha que até já tem nome, tudo isso já parece estar sendo vivido. O amor é construir a realidade sonhada. É sonhar outros sonhos, pois a realidade sonhada é tão real quanto o sonho.

O sonho de um melhor lugar para se viver é visto por muita gente como sendo possível apenas em outro lugar. É como se a prosperidade e a justiça fossem possíveis apenas num outro país. Como se a ‘realização’ no amor fosse possível apenas com um novo amor.

Os direitos e processos democráticos substanciados na nossa atual constituição cidadã representam os sonhos de muitos movimentos sociais. Estes estavam apaixonados pela conquista sedutora da possibilidade de fazer deste país um local mais justo para se viver, ou, pelo menos, uma nação cujos rumos não fossem definidos pelos comandantes de uma corporação militar.

Assim como não foi possível, na letra de nossa lei maior, avançar em muitos aspectos necessários para que nós, brasileiros, não continuássemos submetidos a várias instâncias do poder econômico, não efetivamos muitos dos direitos lá inscritos. A disputa política é feita de interesses contraditórios. É como aquela paixão e amor que não conseguiu compartilhar mundos nos quais os sonhos, tão reais enquanto sonhados, não foram feitos realidades. Também temos muitos desejos e sentimentos contraditórios. Às vezes amamos muito alguém, mas também sentimos raiva ou não demonstramos nosso amor.

Hoje, na ocasião de seu aniversário, temos oportunidade de fazer algumas escolhas que são reedições daquele paradoxo das pequenas grandes escolhas. Quando amamos alguém, não é no ‘eu te amo’ ou ‘eu aceito’ que começa o amor. Muito menos é esse o final ou objetivo. O voto também não é o momento mais nobre da política. Mas, da mesma forma que dizer ‘eu aceito’ é ótimo quando gostamos de alguém, votar é manifestação da política em nós mesmos. Assumimos interesses contraditórios em escolhas de nosso compromisso: votar em branco, anular, não votar ou escolher alguém. Se quisermos uma sociedade mais consciente, que escolha bem seus representantes, devemos fazer isso hoje. É hoje que transformamos o presente. O futuro não existe.

Vote hoje com o mesmo cuidado de escolher como amar. Apaixone-se pelo lugar onde você vive, com todos os defeitos e qualidades. Cuide do que você ama, com pequenos e grandes gestos. Mesmo se você já votou, escolha um candidato ou candidata agora e participe das discussões e questões políticas de sua cidade para fazer amor além do momento de gozo.

Dê esse presente para quem fez ser possível comemorar o aniversário de hoje. Eu deixo de presente ‘uma flor, um sino, uma canção, um sonho':

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(Música de fundo: Enjoy the Silence, na versão de Tori Amos)

A larva do bicho da seda passa trinta dias se alimentando de todas as folhas que consegue. Então, novamente se abriga num casulo por duas semanas para se transformar no inseto adulto. De cada casulo destes são extraídos cerca de mil metros do tênue fio de seda.

Para extrair artesanalmente o fio do casulo são necesários movimentos suaves e firmes, sem mudanças bruscas de sentido. Se for rápido demais, o fio de seda se rompe. Se for lento demais, ele gruda e embaraça.

No Tai Chi Chuan da escola Chen existe uma técnica de treinamento inspirada nesta atividade que era cotidiana na China da época dos mestres. Nos vários exercícios de “enrolar o fio de seda” (info em português – em inglês), os movimentos são executados com o mesmo cuidado e precisão necessários para que o componês não rebente o fio de seda do casulo.

Um bom contador de histórias sabe intuitivamente o quanto pode puxar do fio que sai do casulo que está na imaginação de quem o escuta. Um bom escritor faz movimentos contínuos para extrair de seu emaranhado de idéias aquele finíssimo fio de seda formado pelo encadear de palavras.

Alessandro Baricco é exímio artesão de fios de palavras. Em Seda (2007 [1996]), ele conduz a história com seu estilo conciso, direto e certeiro. Produz um tecido leve e nobre. Poucas palavras, frases curtas. É incisivo nas sensações que descreve e provoca em quem acompanha o fio de seda.

Há um filme lançado em 2007 que é baseado neste livro e recebeu o título de ‘Paixão Proibida no Brasil. Do diretor canadense François Girard (o mesmo do espetáculo do Cirque du Soleil que estréia hoje no Japão), o filme tem boas qualidades visuais, mas não é ousado ou instigante como o livro.

Conta a história de Hervé Joncour, que no final do séc. XIX, da França parte para outros lugares do mundo a fim de comprar ovos de bicho da seda. Especialmente, foca os desdobramentos das viagens ao último lugar onde os ovos não estavam infectados por uma epidemia. O fim do mundo. Lá, descobre que este é invisível, se perde inúmeras vezes e ama o que encontra.

Ele tinha trinta e dois anos.
Partiu em 6 de outubro. Sozinho

Ele gostava de observar a própria vida como ao ver a superfície de água de um lago ondulando-se em todas direções. Mesmo sendo apenas um vento, no espelho de água pareciam ser mil os reflexos.

Seda é um livro que trata a vida como o leve tecido, balançando ao vento. Tingido com amor: Distante. Perto. Inefável. Incompreensível. Em silêncio ou com uma voz belíssima. Principalmente, o infindável amor:

Não nos veremos mais, senhor.
O que era para nós, nós o fizemos, e o senhor sabe. Acredite em mim: nós o fizemos para sempre. Mantenha-se protegido contra mim. E não hesite um instante, se for útil para a sua felicidade, em esquecer esta mulher que agora lhe diz, sem saudade, adeus.

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Mais Simples

(José Miguel Wisnik)

É sobre-humano amar
‘cê sabe muito bem
É sobre-humano amar sentir doer
Gozar
Ser feliz
Vê que sou eu quem te diz
Não fique triste assim
É soberano e está em ti querer até
Muito mais

A vida leva e traz
A vida faz e refaz
Será que quer achar
Sua expressão mais simples

Mas deixa tudo e me chama
Eu gosto de te ter
Como se já não fosse a coisa mais
Humana
Esquecer
É sobre-humano viver
E como não seria?
Sinto que fiz esta canção em parceria
Com você

A vida leva e traz
A vida faz e refaz
Será que quer achar
Sua expressão mais simples

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