Nos últimos meses tenho aprendido a não tentar segurar o que perdi.
Estou observando o movimento de ir e vir sem lutar pra travar a respiração.
As perdas continuam…
E depois do pulmão quase vazio,
tendência ao desespero:
uma nova inspiração!
A cada nova inspiração,
a certeza que ela também se esvai.
Dá vontade de se esvair no ar.
Junto com as perdas que continuam, os ganhos chegam.
Acho que nunca ganhei tantas promoções pela internet como nos últimos meses! Tenho ganhado ingressos para espetáculos de teatro, de dança, degustações de vinho e champagne… e por aí vai! Aliás, por aí vem!
Nesta terça, ganhei par de ingressos para o espetáculo de dança ‘O Poder do Amor Humano‘, que está na programação do 9º Festival Internacional de Teatro Palco & Rua (FIT-BH 2008) ainda para esta quarta-feira. Para participar da promoção, eu enviei uma resposta para a pergunta:
“Qual é o maior poder do amor para você?”
Mesmo tendo recebido a notícia de que ganhei os ingressos poucas horas antes do espetáculo, vi que valia a pena mudar os planos do meu dia para ver essa dança. Olha que abri mão de dançar e fazer yoga com um monge filipino.
(…)
Sete dançarinos e cinco músicos apresentam uma performance de dança sobre vida, amor, brigas, ciúmes, privações e abandono – experiências de relações íntimas e comunicação humana em geral. Um acontecimento de teatro com rituais que condizem com sociedades de todos os lugares. O espetáculo O Poder do Amor Humano, dos grupos israelenses Vertigo Dance Company e The Diamonds Band, será apresentado dias 1º e 2 de julho, no Grande Teatro.
(…)
Eu me alimento de arte como a que eu imaginava que veria neste espetáculo. Queria degustá-lo bem acompanhado. Ver alguém com água na boca ao meu lado. Uma companhia especial. Amiga. Amigo. Amor. Algum eu do lado de mim. Mas,
O tempo era curto. As distâncias longas…
Não procurei nem insisti muito.
Vi que o que eu precisava fazer era continuar respirando. E fui.
Na padaria parei para um lanche. (Sim, eu não me alimento só de arte)
Lá encontrei uma fila das grandes pra servir o lanche, atendentes nervosas, clientes sem noção. Segui observando.
Era aniversário da atendente que estava preparando os sanduíches – ouvi um cliente antigo dizendo. Eu não a conhecia, mas imaginava seu estresse ao estar passando seu dia de fazer 22 anos na chapa assim.
Quando saí, a fiz parar e olhar nos meus olhos: “Parabéns pelo seu níver, Ju!” – Sim. É o nome dela.
Deu pra ver que ela não estava aquecida só pela chapa de sanduíches.
“Saem dois sorrisos bem passados!”
Na fila pra comprar ingressos para o espetáculo na última hora, duas garotas desconhecidas pra mim. Uma delas ganhou o ingresso que estava comigo.
“Mais três sorrisos bem passados, por favor!”
No palco, corpos levavam a platéia no fio da música. A música executada ao vivo é de uma intensidade que surpreende. A banda é formada por músicos tocando acordeom, baixo, guitarra e bateria. Alçou vôos e dançou junto com as bailarinas. E uma delas, grávida!, também canta com uma voz cristalina. O baterista da banda fazia razantes na platéia e piruetas com as baquetas.
A coreografia passeia por acrobacias e momentos de extrema leveza. A platéia quase que literalmente sobe ao palco em alguns momentos pra dançar junto.
O mais saboroso: os movimentos de rock mediterrâneo executados pela The Diamonds Band.
O mais colorido: a pintura dos casais dançantes com a cenografia intimista ao fundo.
Inspirador mesmo!
“Vários sorrisos dançantes bem presentes!”
A Vertigo Dance Company foi criada a partir de um primeiro espetáculo com esse mesmo nome ‘Vertigem’. Foi inspirada na sensação de vertigem experienciada por um dos fundadores durante seus anos de treinamento na força aérea israelense. Vertigo foi criada a partir do conceito de girar sem controle, e não apenas no ar, mas em relacionamentos também. Criaram uma peça que analisa a perda de direção – a tontura – nos duetos humanos. (link)
Já sentiu vertigem em algum relacionamento? E se sentir sem controle assim foi bom ou ruim? O que fazer pra não deixar o avião – com piloto e co-piloto – cair?
Ahhhh! O maior poder do amor pra mim é
Amando, olhamos pra tudo percebendo mais as cores. Até as sombras ficam mais destacadas. A distância, os tempos, ritmos, perdas, ganhos: tudo mais colorido e bonito.
Veja algumas cenas do espetáculo no vídeo abaixo:
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2 02UTC Julho 02UTC 2008 at 4:26 PM
“O maior poder do amor pra mim é
Mudar o jeito que olhamos o mundo“
Adorei!
Nós queremos um mundo melhor, com pessoas melhores, mas não mudamos nosso mundo interno. Aí não adianta desejar e ser discípulo de “O Segredo”.kkk
Lindo.
2 02UTC Julho 02UTC 2008 at 10:49 PM
Olha, pelos trechinhos já deu pra ficar com água na boca…
A arte realmente me parece a mais possível salvação da humanidade. Em especial as artes que se distanciam da linguagem verbal – a dança, a música, a pintura. As imagens são muito mais eloqüentes para o sentimento do que qualquer texto.
Vertigem é o que sentimos antes de cair. Mas é também o que sentimos antes de pular – e a diferença está no fato de que a escolha, em si, não muda o medo, mas pulamos mesmo assim.
2 02UTC Julho 02UTC 2008 at 11:45 PM
Dani, aprendi q essa relação de perdas e ganhos depende de nossa disposição de Viver… sempre somos apresentados aos dois lados da moeda de uma só vez, mas geralmente focamos em um só… Adoro o q você escreve… cê sabe disso!!!
BJu.
7 07UTC Julho 07UTC 2008 at 11:27 AM
Gente, obrigado pelos comentários!
Escrever esse texto foi ótimo pra mim, antes até de tê-lo escrito.
E saber que outras pessoas gostaram é também muito bom.
——–

Éh, Carol, olhar com amor é um exercício, um esforço e um prazer. E digo olhar pra dentro e pra fora.
——–
O ‘Poder do Amor Humano’ é mais suculento que eu consegui passar em palavras mesmo, Debs. E escrever sobre o espetáculo fez parte do banquete. Por isso, eu disse: “Vários sorrisos dançantes bem presentes!”. É o que foi possível compartilhar: alguns sorrisos que devem ter dançado no presente, ao ler o texto.
Ainda quero escrever mais sobre a sensação de vertigem. Nunca fui piloto para sentir isso em um caça rodando em alta velocidade mas, já senti e até provoquei a sensação. Em relacionamentos a dois, também me senti rodando tanto que uma boa forma de descrever a sensação seria vertigem metafórica. Enfim, isso dá outro texto!
——–
Ju, adoro saber que adora o que escrevo.
Nossa disposição pra viver deve mesmo ir além da contabilização de perdas e ganhos. Com certeza! Acho que o mais poderoso no amor é exatamente deixarmos de olhar o que a vida nos dá ou tira e oferecermos mais.
9 09UTC Julho 09UTC 2008 at 10:16 PM
Caralho, acredita que eu fiz a divulgação da VERTIGO aqui no sesc e não consegui ir?
Foda.
9 09UTC Julho 09UTC 2008 at 11:13 PM
heheh… Perdeu!
Acabei de reler seu post “Feast of Love: “O fim já está desde sempre no princípio””. Puts! Fevereiro… E você lá falando da vertigem!
24 24UTC Julho 24UTC 2008 at 10:53 AM
Veja o texto novo do Gitti!!