Lembro-me das primeiras aulas de psicologia do desenvolvimento nas quais estudávamos os processos cognitivos dos bebês até dois anos de idade. O objetivo era entender como os seres humanos começam a perceber e se relacionar com o mundo. A neurofisiologia dá indicações de que o sistema neurológico e os órgãos sensoriais não estão maduros o suficiente para que recém-nascidos possam ver ou mesmo ouvir da maneira que muita gente imagina que podem. Isto apenas para citar dois dos sentidos. Desde antes do nascimento, o feto reage a fontes de luz do ambiente onde a mãe está. Inclusive abre as pálpebras. A partir de determinado momento, também reconhece sons internos ao corpo da mãe e alguns externos. Porém, estes sons alcançam o feto com timbres e volumes bem diferentes dos que ouvimos, afinal está envolto pelos tecidos e líquidos da placenta e tem o som de fundo das batidas do coração e da circulação sanguínea maternas.
Testes indicam que, nos primeiros dias, os bebês conseguem focalizar objetos apenas a distância de cerca de 30cm de seus olhos e praticamente sem cores. Daí a linda imagem de bebês sendo amamentados olhando nos olhos de suas mães. Parecem também conseguir distinguir a voz da mãe alguns instantes após o nascimento. Mas, certamente não identificam o significado do que ela fala. Não deve fazer a menor idéia do que os tons de rosa ou azul na pintura das paredes de seu quarto indicam.
Algo me incomodava muito naquelas aulas. Não sabemos como outra pessoa adulta percebe o mundo. Da mesma forma que eu não conseguiria explicar como é a cor vermelha para alguém que nunca viu cor alguma, eu não sei se a tonalidade da luz que reconheço como sendo vermelha é a mesma que outra pessoa vê. Portanto, uma idéia insistente que eu tinha naquela época é que os testes e parâmetros que usamos indicam apenas o quanto a percepção do bebê está próxima da dos adultos. Viver na cultura molda a percepção dos recém-nascidos. O mundo percebido por um bebê é inimaginável para nós.
Ultimamente estou me sentindo um bebê.
Aprender a pilotar uma moto tem sido como reaprender a andar. Perceber o próprio corpo tentando se equilibrar em cima de duas rodas com motor é uma ótima novidade.
Acho engraçada a cena de instrutores dizendo como devo fazer para passar por uma rampa ou como devo me equilibrar. Talvez aquelas instruções sejam super simples para eles! Eles estão num mundo onde pilotar moto é algo como andar em dois pés. Só que eu me sinto como o bebê que não entende nada do que um adulto diz ao tentar explicar como se manter de pé e andar.
Nós, bebês, aprendemos apesar de como é ensinado. Ir além de acertar ou errar, gostamos de aprender, mudar. Tudo é novo.
Mas, talvez eu esteja lembrando disso tudo porque estou aprendendo que todo dia é birthday.
(O vídeo não é meu… mas, acho que me sinto como esse bebê
- e um dia serei como esse pai ‘babão’ rsrsrs)
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8 08UTC Outubro 08UTC 2008 at 9:35 AM
Cara, isso me fez lembrar das minhas aulas na auto-escola. Entrei no carro, e a primeira coisa que a mulher-homem falou foi: “Vc já dirige?”… Pensei por 2 segundos e lembrei de algumas vezes que já pegara o carro da minha mãe (com a supervisão dela, obviamente), para aprender coisas básicas, tipo andar em linha reta, aumentar a marcha e dar ré. Disse que sim, um pouco, e então a criatura começou a me tratar como se eu tivesse 50 anos de carta. Falava termos de motorista, ria dos meus erros… e pra completar, no final das 15 aulas fui marcar o exame. A atendente da auto-escola perguntou onde estava a autorização da minha instrutora. Como eu nem sabia q precisava disso, ela ligou pra mulé-macho, q respondeu que não me deu a autorização pq disse q eu precisava de pelo menos mais 15 aulas (!!!) – Mudei de instrutor, fiz mais 2 ou 3 aulas, marquei o exame e passei no primeiro. Meu sonho era passar dirigindo na frente da auto-escola e mostrar a bunda, pena q fica numa praça!!!
10 10UTC Outubro 10UTC 2008 at 10:26 AM
Escutei esta frase em uma aula da minha especialização: “Não sabemos como outra pessoa adulta percebe o mundo.”. E realmente é verdade!!!! É extremamente difícil, ou até impossível, enxergar o mundo com o filtro do olhar do outro…
8 08UTC Junho 08UTC 2009 at 10:39 PM
Quando eu era criança sempre pensava nisso “será que o que eu vejo é como o que o outro vê??”… deve ser por isso, dentre tantas outras coisas que resolvi me aventurar, sem sucesso, pelos lados da psicologia. Digo “sem sucesso” porque a resposta dessa pergunta continua em algum lugar escondida!
Não sabia que vc tinha carteira de moto!Já pensei em tirar, hj penso em “talvez tirar”…hehehe…
O comentário sobre o post do Desarrumo fica proutro dia, outro “outro dia”.
8 08UTC Junho 08UTC 2009 at 10:40 PM
PS: VC REALMENTE DEVERIA ATUALIZAR SEU BLOG. Tá tooooo sloooowwww pro meu gosto, e curiosidade!